Realismo

Contexto Histórico

Texto: Editora Moderna

Nas primeiras décadas do século XX, a Europa assistiu a inúmeras transformações em todos os aspectos das atividades humanas: invenções, desenvolvimento científico e tecnológico, além de enfrentar lutas sociais, guerras mundiais e a revolução comunista. A classe operária, à margem do progresso material, empenhava-se na defesa de idéias socialistas, sob a influência das teorias de Karl Marx e também anarquistas, fundando associações e sindicatos, fazendo greves e lutando por melhores condições de vida e de trabalho.

Nos EUA do início do século, intensificou-se a imigração. Com a rápida industrialização, o perfil das cidades transformou-se.

Nesse cenário de mudanças e inovações surge o movimento da arte moderna, um dos momentos de transformação artística mais radical do homem, com seu desejo de libertar-se do passado para buscar novos caminhos, de acordo com a nova mentalidade emergente.

Paris era o grande centro cultural europeu da época, de onde novas idéias artísticas irradiavam para o resto do mundo ocidental. Dali surgiram as correntes de vanguarda (do francês avant-garde, “o que marcha na frente”), movimentos que tinham como missão fazer o futuro acontecer imediatamente.

Nos EUA, no começo do século XX, poucas pessoas imaginavam que em menos de 50 anos a arte norte-americana ficaria livre do domínio da influência européia, pois ainda que a América do Norte possuísse suas próprias instituições artísticas, estudar nas academias de arte parisienses era considerado parte do treinamento de todo artista norte-americano, o que bloqueava a manifestação das peculiaridades culturais do país. No entanto, já em 1905, uma arte genuinamente norte-americana começava a despontar na chamada Galeria 291, situada na 5ª Avenida, em Nova York, onde o fotógrafo e marchand Alfred Stieglitz promovia a fotografia como expressão de arte. Stieglitz convidava artistas da vanguarda européia para exposições que dessem ao público norte-americano a oportunidade de conhecê-los, embora não incentivasse o mesmo público a apreciá-los. Pelo contrário, ajudava e promovia os artistas e fotógrafos de seu próprio país. Alguns pintores, como Marsden Hartley, Oscar Bluemner, Charles Sheeler e Georgia O’Keeffe, foram seus protegidos.

Em 1908, um grupo de artistas norte-americanos, conhecidos como The Eight (Os Oito), pretendeu desenvolver um estilo artístico de oposição ao tradicionalismo. Comparados aos europeus, os membros do The Eight possuíam um estilo conservador, mas foram de importância significativa para a formação de uma arte norte-americana independente.

Edward Hopper foi um dos principais integrantes da Ash-can School, que surgiu em 1908 e durou até a Primeira Guerra Mundial. A maioria dos membros da Ash-can School veio do grupo The Eight. Alunos de Robert Henri, da Filadélfia, posteriormente estabeleceram sua sede em Nova York. Por influência de seu mestre, observavam a vida urbana contemporânea e tinham em comum o fato de serem artistas-repórteres. Como a máquina fotográfica era pouco utilizada no trabalho jornalístico, esses artistas tinham uma percepção visual rápida, traço ágil e uma memória precisa para detalhes, o que estimulava seu interesse por cenas do cotidiano. Embora pintassem imagens da marginalidade e da vida nos cortiços, estavam muito mais interessados nos aspectos pitorescos desses temas do que nas questões sociais que suscitavam.

Nesse clima de busca de identidade nacional norte-americana, em 1913 um evento artístico marcante acontece nos EUA, o Armory Show.

No panorama cultural norte-americano, a Primeira Guerra Mundial provocou um hiato na exportação das idéias européias. Nesse período, artistas cubistas, como Picabia, Duchamp e Gleizes, mudaram-se para Nova York, e alguns artistas norte-americanos começaram a copiar seus estilos sem entendê-los profundamente. As formas geométricas do cubismo influenciaram alguns pintores norte-americanos resultando no estilo que chamaram de cubismo realista, entre 1915 e 1920. O objetivo era pintar a paisagem urbana e industrial em formas chapadas e definidas, com luzes claras e brilhantes, inovando a pintura de paisagem e influenciando, num futuro próximo, o realismo mágico e a pop art.

Terminada a Primeira Guerra Mundial, em 1918, um clima de incerteza dominou por toda a década de 20. Os países envolvidos, que antes euforicamente disputavam mercados consumidores, viviam agora crises econômicas, sociais e políticas.

Em 1929, ocorreu o crack na Bolsa de Valores de Nova York, desequilibrando a estrutura econômica mundial e resultando no que foi chamado de Grande Depressão nos EUA.

Nos anos 30, o espírito da Depressão espalhou-se e teve um profundo efeito sobre a autoconfiança norte-americana, refletindo, conseqüentemente, na produção artística desse período. O sentimento de nostalgia e os valores tradicionais pareciam constituir um verdadeiro estilo de vida. Assim, as cenas naturalistas sobre o árduo trabalho rural eram populares. Alguns artistas, como Edward Hopper, expressavam suas reflexões sobre o passado mostrando a maneira individualista de ser da época. As pinturas de Hopper retratavam a desolação da vida urbana, com figuras humanas presas dentro de seu próprio isolamento.

O presidente Roosevelt concedeu enorme incentivo às artes, e entre os anos 1935 e 1943 o governo norte-americano criou e colocou em execução o Projeto Federal de Arte, a fim de sustentar artistas desconhecidos com salários mensais, fornecendo-lhes materiais e comissões para decorar edifícios públicos e concedendo-lhes centros de exposições.

Durante o período da Segunda Guerra Mundial, muitos artistas europeus exilaram-se nos EUA, trazendo com eles as idéias e conceitos das vanguardas da época. Alguns artistas norte-americanos foram influenciados por seguidores de Picasso, outros por artistas ligados ao movimento abstrato. As idéias do surrealismo europeu também chegaram aos EUA nesse contexto, e seu expoente norte-americano foi Arshile Gorky, que desenvolveu um estilo pessoal fundindo surrealismo e abstração geométrica.

Somente com o aparecimento do expressionismo abstrato a arte norte-americana conseguiu quebrar sua dependência da inspiração européia, invertendo o jogo e chegando, a partir das décadas de 50 e 60, a influenciar artistas europeus.

Política e economicamente, os EUA tornaram-se a maior potência mundial, e a hegemonia norte-americana tem prevalecido até os dias atuais. Nas décadas de 50 e 60, a vitória da Revolução Cubana abriu a discussão sobre as relações de força entre as grandes nações e aguçou a consciência dos países de Terceiro Mundo no sentido de lutarem para manter-se independentes dos EUA e da União Soviética.

Sobre este site

Este site é baseado no Projeto de Conclusão de Curso da Aluna Karina Melo de Almeida pela Universidade Salvador - UNIFACS. O projeto original foi concluído no ano de 2001 e pode ser visitado através do link www.hopper.com.br/antigo. Este site não tem fins lucrativos e visa apenas divulgar a Vida e Obra do Artista Edward Hopper.